Oi todo mundo! Hoje decidi que queria postar algo que tivesse um significado tremendo para mim, mesmo que para muitos não terá o mesmo valor, pois preciso de algo mais sentimental e pessoal. Esse texto escrevi para o meu opa ( avô ), que morreu há oito anos e com quem eu era muito ligada. Espero que tais palavras tragam para vocês sentimentos no mínimo parecidos com os que eu tive quando escrevi, sentimentos de saudades, de amor, de felicidade, algumas lembranças... Podem ser por alguém que já se foi, alguém que está passando por momentos difíceis, ou mesmo por uma alusão de um sentimento presente apenas na imaginação. Só queria dividir um pouco do que tanto sinto por essa querida pessoa. Obrigada por lerem, mesmo que a preguiça bateu e vocês não chegaram até o final ( quem nunca fez isso?!), pois como perceberam o texto ficou um pouco comprido para o padrão de bloggers, por favor se tiverem alguma à dizer é só comentar ali embaixo ou mandar para o e-mail ( página “PROCON”) Beijos e abraços! ( Rapidinho: opa e oma dizem respectivamente avô e avó) O texto que fiz para ele, ai:
Como queria poder trazer nesse dia tão triste parar todos que o amamos opa, alguma alegria, algo para que eles se lembrassem e rissem. Mas como posso fazer isso se no momento que escrevo tais palavras lágrimas escorrem de meus olhos? Como posso mostrar que foi bom você ter vivido conosco quando eu mesma não consigo esquecer a falta que nos faz?
Nessa hora eu tento fazer o que você gostaria que a gente fizesse. Que continuássemos nossas vidas longe da função de sua ausência, que não nos sentíssemos tão tristes assim depois de tantos anos. Porém, Opa me desculpe, mas não dá para ser assim toda hora. É tão bom lembrar os nossos momentos. Como quando a gente tratou de mamadeira o bezerrinho, dos churrascos que você fazia e que reunia toda a família, que enquanto você fazia a carne eu me balançava no balanço de pneu na arvore no meio daquela fumaça toda, quando eu você e a Oma íamos pro pomar pegar as frutas, fresquinhas do pé, a lembrança nítida de nós dois caminhando na chácara e você cantando pra mim, aquelas músicas que só você sabia, a gente ria que se acabava, ainda mais quando você soltava algumas coisas naturais do ser humano, dai sim que as nossas gargalhadas ressoavam pelas árvores, quando a gente brincava com os cachorros, quando eu entrava no seu escritório e era invadida pelo cheiro daquela balinhas de hortelã, e pela sensação de que ali estava um homem sério, que cuidava dos negócios da família, o mesmo homem com quem a pouco eu tinha tomado banho na minha piscina de criança junto com você e a Barbie e a Duquesa , nossas cadelas, duas vezes o meu tamanho da época , com quem também eu vivia brincando no pátio e quando voltava pra dentro de casa nós dois riamos pelo tanto que a Oma brigava por causa dos pelos, o avó que me ajudou a andar de bicicleta, tirando de cada vez uma das rodinhas, quando a gente ia no mercado e você colocava dentro do carrinho de compras aquela caixa com 12L de leite para eu sentar, me lembro de quando eu brincava no seu caminhão de madeira , correndo na carroceria, e como até hoje quando sinto o cheiro de madeira cortada vem você em minha mente. Eu era uma menininha com jeito de menino, adorava brincar na terra, tratar os porcos, correr pelo milharal, me sujar, brincar com os animais, passar o dia na chácara, sempre voltando pra casa cheia de roxos nas pernas e com o rosto sujo. Eu queria que você pudesse ver como estou agora, lendo os seus antigos livros, sabendo se comportar com saia e salto alto, dançando as músicas que você tanto gostava de dançar, abrindo o meu espaço com as minhas mãos, mas é claro que as minhas pernas continuam com alguns roxos e ainda adoraria passar o dia na chácara, tratando dos animais, correndo no milharal e cantando, com você, principalmente com você.
Você faz tanta falta para tantas pessoas, faz falta até para pessoas que não o conhecem , como o seu neto mais novo. Você ia gostar tanto dele, ele é um xerox teu, a mesma teimosia, o mesmo jeito de falar, os mesmos olhos, a mesma esperteza e rapidez de aprender e fazer as coisas. Faz falta pra Oma, a mulher que tanto te amou. Para os seus filhos, que guardam um amor incondicional por você. Para todos que você marcou com a sua vida, que com certeza não forma poucos, pois muitas vezes que digo ser sua neta para algumas pessoas, abrem para mim sorrisos alegres e vários olhos se iluminam de lembranças suas, sempre seguidas de olhares tristes , de pena e saudades.
No entanto Opa, eu sei que você aproveitou a sua vida, você fez muitos felizes, você foi feliz. Por isso que além de ficar triste por você ter ido tão cedo eu fico feliz por você ter ficado com nós até aqueles dias. A sua presença na vida de muitos continua e na minha ela está viva e continuará assim sempre.
Portanto é com os olhos inchados de tanto chorar e com um sorriso nos lábios, por lembrar de nós, que termino esse texto que é insignificante quanto ao que você representou para mim e para os outros, mas é algo que eu sentia que precisava dizer para você agora. Foi uma maneira diferente da que eu usei quando criança , quando eu te dava um abraço e lhe dizia eu te amo, agora eu lhe escrevo palavras e ainda lhe digo com o mesmo sentimento: Eu te amo.
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filha, está lindo este teu texto, deu pra sentir o cheiro da chácara e as lembranças todas boas que vivemos lá com ele.
ResponderExcluircontinue a registrar suas impressões no virtual que ajuda suportar a distância, a perda, a saudade do real, que assim tudo se vai tornando cada vez mais possível de viver.
bjs, teu pai.
Ain que lindo pai! Obrigada por tudo, ainda mais pelo apoio que tu tais me dando! Beijos
ResponderExcluirParabéns, texto com um conteúdo e tanto... ufa deixa eu respirar agora.
ResponderExcluirBjs, Alessandro!!!
Parabéns, Flavia! Olha só, lendo seu texto lembrei de outro... de Carlos Drummond de Andrade...
ResponderExcluir" Por muito tempo, achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegante nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência assimilada, ninguém a rouba de mim."
Um ablação